Os relacionamentos na minha vida...

 Um Amor Colossal aos 20 anos...

Um Amor profundo, verdadeiro, honesto e de muita paixão! Um primeiro olhar...

Assim foi o nosso encontro há 33 anos a trás. Ele separado, um filho, e um passado complicado, oriundo de uma família pobre, sem escolaridade obrigatória porque cedo teve que ajudar os Pais a criar as irmãs mais novas! Mas como é criado numa pequena aldeia, os seus traços de Educação são pertencentes ao patriarcado, e deu lugar ao Narcisismo tão comum na nossa Sociedade, mas ele era diferente. Como emigrou melhorou a sua educação, e o seu trato era diferente do pai, que maltratava muitas vezes a mãe.

Durante os primeiros doze anos e com duas filhas, fora do país trouxe-nos uma consolidação enorme na nossa união, uma vida repleta de momentos magníficos com as nossas crianças, e as nossas famílias longe, não havia interferência, e nós vivíamos muito bem.

Bom, quando decidi regressar e o meu companheiro não foi apologista,  fez-me a vontade e instalámo-nos na aldeia aonde ele nasceu, construindo a nossa casa e continuámos a formar a nossa família; Aos poucos a família dele foi-se instalando devagar, para ver as crianças, e dando palpites " só para ajudar"! 

Mas eu, até achava bonito e acreditava que era para ajudar, não percebi a intenção de certas ações...

Aos poucos o meu sogro, começou a fazer chantagem com o filho, porque estava velho e precisava de ajuda nas obras, cativou o meu companheiro a trabalhar com ele, a ir aos petiscos e afins...

Quando quis travar um pouco a falta de presença do meu companheiro, a família dele começou a intrometer-se mais e tornando-se deveras agressiva com os sues comentários e demais ações.

As mulheres nestas pequenas aldeias têm que fazer tudo, enquanto que os homens andam fora de casa a trabalhar e depois " sabe-se lá aonde" para espairecer com os amigos, para desanuviar, como dizia a mãe do meu companheiro! Mas eu não aceitei esta verdade, e depressa comecei a ter conflitos em casa, e o meu companheiro a refugiar-se em casa dos pais, a vir muitas vezes bêbado e cada vez mais tarde para casa, só para dormir e a sair cada vez mais cedo para ir trabalhar com o pai.

Deixámos de passear juntos, as filhas raramente o viam, e eu lancei-me para a frente, e comecei a ter mais do que um emprego, visto que o dinheiro nunca chegava para pagar as contas da nossa casa.

O dinheiro que tínhamos guardado, foi para ajudar a construir uma casa para os pais dele, porque uma vez que construímos a nossa,  no terreno deles, tínhamos o dever de os ajudar também. 

Feita a casa, ainda mais tempo passei sozinha com as crianças, e ele em casa dos Pais. Suportei esta vida durante 17 anos, questionando-me se devia sair, porque estava a se tornar insustentável. Até que há três anos, devido há idade e a uma doença cancerosa, faleceu! 

As minhas filhas são adultas, estão a formar-se, mas ficou em mim a mágoa de ter ficado para trás, por conceitos familiares, que me fizeram transformar numa guerreira, trazer o meu masculino ao cimo para me defender e defender as minhas filhas, para que não sofressem com as más decisões que hás  vezes tomamos de coração aberto, colocando-nos em último em prol de ajudar os outros!

Entre mim e o meu companheiro, ficou a mágoa, o ressentimento, entre nós e as nossas más escolhas. 

Estamos juntos, a família ficou unida, mas neste momento estou a resgatar o meu Feminino, a cuidar de mim, a respeitar o meu tempo, deixei os empregos, para me encontrar no meio de tanta confusão que vivi nestes últimos anos! Libertar-me de parasitas e erguer a minha cabeça foi a minha primeira atitude, e a segunda foi permitir-me Amar e ser livre para me autoconhecer. 

Agora que cheguei até aqui vejo o quanto fui forte, consegui manter a família unida, mas a que custo??

As desculpas, "perdi-me no meio das responsabilidades e deveres como filho", neste momento não chega para apagar tantas desilusões, jantares frios de espera, conversas que não tivemos, férias adiadas e outras sozinha com as crianças; A solidão que se abateu em mim, deixou-me um sabor amargo na boca... Mas por isso, decidi no início deste ano, resgatar o meu feminino, olhar para dentro de mim, e fazer valer a pena o que construi, olhando para mim, a minha felicidade e ver as minhas filhas vencerem na vida. O resto? Deixo em aberto, porque amanhã é outro dia!!!

Dedico a minha história a muitas outras mulheres que passaram e passam pelo mesmo que eu ! Procurem a vossa felicidade, façam esse favor a vocês... Voem muito alto, eu fiz em Fevereiro!




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