A nossa responsabilidade - como lidar com as nossas emoções?
Traumas/ feridas emocionais...
Como lidar com as nossas feridas e traumas emocionais, quer seja de infância, doutras vidas ou nesta nossa vida presente?
Cada dia que ligo a televisão, ouve-se cada vez mais casos de violência doméstica em que a mortalidade é dirigida pelos parceiros na relação, duma tal violência e em frente das crianças, colocando-as numa espiral de medo que irão durar o resto das suas vidas. E para quê???
O patriarcado em que vivenciamos na Sociedade, deu a estes homens /Alfa a característica de que as mulheres são suas propriedades, voltamos então ao cérebro repteliano, ao homem das cavernas que transportava a sua companheira pelos cabelos.
Mas o que ainda é mais dramático, é que a evolução dos tempos, das sociedades, da cultura, da informação diária, ainda se cometam tantos crimes hediondos nos relacionamentos pessoais, que destróiem famílias e futuros adultos, por um impulso disfrazado em nome do Amor!
Já muitos de nós percebemos, compreendemos, entendemos que o Amor romântico é uma emoção, gerada pela química composta de uma imensa energia que enviamos que ao outro(a) pessoa, em que queremos sentir protegidas, em segurança com as nossas crianças! Mas como podemos acreditar neste romance/emocional, se temos o vilão dentro da nossa casa? É quem nós escolhemos para nos acompanhar para o resto das nossas vidas???
Pois é, mas os relacionamentos não são românticos! São parcerias que escolhemos para nos acompanhar por um período da nossa vida...
Eu também me casei apaixonadíssima, com uma química enorme entre nós dois, que fazia faísca por todo o lado, aonde nos sentíamos felizes só por nos ouvir ao telefone!
Claro que estou a falar pela minha experiência, em que me casei aos 19 anos com o meu atual companheiro de vida, temos uma casa, as nossas 3 filhas, os nossos amigos domésticos e uma catrefada de problemas familiares, porque ninguém aceitou a nossa união!
O meu companheiro é mais velho do que eu 14 anos, e claro que na altura a sociedade era bem mais rigída do que é agora, e foi muito mal visto, porque eu iria ser a "Concubina", algo dito por um familiar meu, a respeito da diferença de idade!
Bom, como tudo na vida, eu assumo sempre as minhas ações e assim fiz: fiquei grávida e ao fim de um ano de estar casada, já tinha uma filha, aos 20 anos. Os meus pais, claro que condenaram-me porque fiquei logo grávida, a família do meu companheiro, aconselhava-o, para sair da relação, visto que a minha família era contra, e como tinha algum poder local, o melhor era não criar confusão com ninguém...
Pois é, mas quem é que mandava em mim? Ninguém, e assim fiz uma família com muito custo, com muitas dificuldades, mas unidos apesar de muitas peripécias que passámos e ultrapassámos, apesar do preconceito Social, das intromissões constantes, manipulações e o mais grave, o quererem invadir a nossa família através das minhas filhas!!!
Tivemos muitos dissabores, muitas zangas, muitos momentos a sós, porque inclusive tentámos que ambas as nossas famílias se juntassem em prol das crianças, mas foi pior, o antagonismo foi maior.
Como venho de uma família destruturada, quando conheci o meu companheiro, separado e com um filho aceitei, e sempre me dei bem com o meu enteado, afinal a criança não tinha culpa da separação dos pais! Mas ainda mais complicado se tornou e quando começou a ser demasiada confusão, fomos embora, emigramos para Barcelona, regressando ao final de uns anos, porque estava tudo mais calmo, e o meu companheiro queria estar também com o outro filho, e regressámos, pensando que estava tudo mais sereno, convictos da união familiar!
Construímos uma casa num terreno dos pais do meu companheiro, porque também construímos a casa deles. E foi aqui o pior tempo da minha vida... Convivi também de perto com o Narcisismo do pai do meu companheiro, porque na aldeia aonde moramos, este é o sistema educacional entre os homens, o dito Patriacardo...
O mau trato, as traições, o controle, as manifestações violentas! Os petiscos em casa dos amigos, a bebida e as conversas de bêbados... E quando dei por mim, o meu companheiro nunca estava em casa, o dinheiro desaparecia, não se interessava com as filhas, porque já eram muito grandes" desenrascam-se" e por fim, coloquei um ponto final, ao perguntar-lhe sobre o "Divórcio", porque já não suportava o seu comportamento!!!
E foi nesta altura, que eu também comecei a aprofundar mais as tradições, as crenças familiares, os hábitos da comunidade! Os insultos, o Alcóol há mistura, o negligenciar a família porque o homem têm de "estar na rua", e deixa-se as mulheres em casa a tratar dos filhos, sózinhas, enquanto os homens vão aos "petiscos"...
Claro que não aceitei o comportamento, e depressa demostrei que não ia compactuar com esses comportamentos! De facto, nós somos as nossas escolhas e foi assim que comecei a adquirir autoconhecimento, fiz um círculo do sagrado feminino, e decidi começar a olhar para mim e para a minha vida, aprofundando o autoconhecimento, refletindo e alargando os meus horizontes nas aprendizagens que fui tendo, ao longo destes dois últimos anos!
Resgatei a mulher que quero Ser, presenteio-me constantemente, oiço o Mar calmamente, sem andar a correr para chegar a horas de fazer a lida da casa sozinha! Não, desfruto de um chá/café, fala com uma amiga, ou nada disso faço, só passeio comigo mesma!
Eis o meu canto favorito, aonde lavo a minha alma, para continuar as minhas aprendizagens na vida...

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