A minha travessia interna...

 Bom karma / mau Karma... e no final, o nosso verdadeiro Dharma!!!

Todo o Ser humano desde que nasce, têm como missão evoluir  diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, em conformidade com as mudanças que as circunstâncias na vida nos pede. Como somos seres emocionais,energéticos, vibracionais, temos que aprender  como estabelecer uma rede de auto-ajuda para prosseguir com a caminhada em plena união com o outro e o planeta. 
Sempre que algo, alguém perde o equilíbrio, toda a estrutura há sua volta acaba por se fragilizar com com as emoções há flor da pele, e se o ambiente há nossa volta não estiver pacifico, a tendência é sairmos fora da nossa rota vivencial.
Aos 52 anos, sinto-me uma adolescente, com imensos sonhos para realizar, apaixonada por cada segundo da minha vida, e da vida das minhas filhas. 
Sempre fui muito sentimental e romântica, tudo sempre girou no sentido emocional na minha vida, as lágrimas de Amor, de dor, as recordações do primeiro Amor, o Pôr do sol, o  mar azul cristalino, as flores desabrochar na Primavera, o cantar dos pássaros pela manhã, olhar o Sol, as hortas compostas de verduras lindas, crescendo dia-a-dia, contemplar o nosso mundo com tanta cor.
Estamos neste momento a passar por muitas transformações pessoais, familiares, sociais, em que se comprova que nada é permanente nem fixo. O que dantes era banal, um abraço ou um beijo de bons dias, agora é fruto proibido e  restrito, em que se desconfia do que num pequeno gesto de afecto pode ditar a morte, ou em sofrimento!
Durante a minha infância, gritava por demonstrações de afectos através da família, mas a correria era tanta para manter os compromissos e assumir as responsabilidades dos afazeres, cumprindo horários escolares e laborais, que nunca havia tempo para se conversar ou sermos atendidos nos nossos segredos de crianças.
E assim foi durante 40 anos após o dia da independência, a correria da competição, o stress de enriquecer, o desgoverno horário e na educação, levantar às 06 da madrugada, ir para o colégio e depois às  20h, o meu pai ou a minha mãe iam buscar-me e tomava banho a correr, comia a dormir, e era colocada na cama sem perceber como lá tinha ido parar.
Na euforia da vida, decidi que quando tivesse a minha família tudo ia ser diferente...
Nós desejamos sempre que tudo seja diferente, mas não analisamos nem refletimos as situações, não havia tempo, era tudo para ontem, porque o futuro é amanhã e precisamos de amealhar o mais possível, "não vá o diabo tecê-las" como dizia a minha querida D. Antónia, a minha segunda mãe, que tomava conta de mim e dos meus irmãos, porque os meus Pais estavam sempre a trabalhar e não havia tempo.
O certo, é que quando comecei a minha família, voltei à correria, aos horários, e perdi muito da infância das minhas filhas, e em que raramente me dava ao gozo de fazer algo que me satisfizesse, numa correria louca de casa-trabalho, tratar das crianças, da casa, dos compromissos, numa roda viva, dia após dia! 
Com horas marcadas para satisfazer os padrões da sociedade, as crianças, organizar a casa, entramos numa espiral de tarefas, e de nenhuma disponibilidade, para cada um de nós; e é nestas alturas que começamos a fazer as muitas perguntas internas: " O que raio ando eu a fazer? "
" Há quantos dias não vejo as minhas filhas?"
 Só quando passava pelos quartos,  verificava se estavam a dormir, ou durante o dia quando me telefonam a perguntar aonde estava a roupa, o secador do cabelo, ou que precisavam  de uma lista enorme de compras porque estava a acabar os produtos que tanto gostavam.
Ia há escola com hora marcada, às reuniões com data e hora marcada, voltava ao trabalho, e saia tarde do trabalho, para resolver os problemas quotidianos do dia.
Neste momento, centrei-me na minha família, nas minhas filhas e no meu companheiro, nos meus animais domésticos, mas principalmente, em mim e no meu rumo pessoal, dando-me todas as oportunidades para apreciar a vida, fazer novas amizades, apreciar passeios com as minhas filhas, olhar as minhas filhas nos olhos e ouvi-las, escutar os seus sentimentos do dia-a-dia.
Reconquistei o meu lar, tenho mais gosto em cozinhar, ir há horta buscar os alimentos, porque inclusive, agora tenho tempo para regar a horta, e ver o pôr do Sol, sem me preocupar com o tempo, ou a perde dele!
O prazer de me levantar devagar, olhar para a rua, ver o mar e espreguiçar-me lentamente, aprofundando o ar há minha volta.
A felicidade que eu  tanto sonhava e buscava, afinal estava comigo, ao meu lado, há minha espera, aguardando um sinal da minha parte e do meu desacelarar na caminhada na vida, para me mostrar o quanto é maravilhoso ter os  sentidos despertos, para agraciar o nascer do Sol de manhã, e sentir a generosidade de um novo dia, novas experiências, um novo caminhar renovado de esperança, fé, e otimismo, e embraçada pelo grande Amor das minhas filhas.
Sinto-me mais generosa, conversadora, aprecio os meus passos, dou longos passeios na praia, e começo a coleccionar novos sonhos, que que concretizar brevemente.
Este é o meu Dharma, fiquei sem um trabalho que  exigia muito de mim, compensava monetáriamente mas afastei-me da minha família. Agora, redescoberto o verdadeiro sentido da minha vida, a minha família, vou encontrar-me profissionalmente, descobrir o que realmente me apaixona, o que me faz sentir entrelaçada com o nosso mundo e com o meu propósito de Alma.
Estou desempregada mas feliz, porque adquiri novos hábitos, conheci uma nova maneira de estar e de vivênciar o meu dia-a-dia!
Agora voltei a adquirir o meu velho hábito de ler, de apreciar estar em silêncio, de organizar o meu tempo com calma, sem correrias, sem pressa, para quando me for deitar dizer:
- Obrigado Meu Deus, foi um dia espectacular!
Espero e desejo que todos adquiram também novos hábitos, uma nova vida, com muita saúde, Paz e Amor com todos os que vos Amam há vossa volta!



 














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